10.4.09

Mas estou neste quarto, reviro os papéis e procuro ferramentas para minha intelectualidade. Tenho dificuldade com as palavras quando elas sonorizam e tratam de você, e de mim. Tenho a voz gaga, o corpo esvaziado. Estou diante de um muro e fiz minha residência deste lado. E sinto que enquanto os outros passam, eu fico sozinho. Eu fico sozinho diante de todos eles, desaprendi a conversa. Preciso ir embora, coloco tudo nas costas e vou. Tenho pressa sem motivo justo, quero que isso seja passageiro, que para o corpo seja depressa. Mas tudo continua como ficou, e que silêncio prolongado!
talvez esse silêncio dos cães e dos bêbados, do mundo, que não consola nem oferece respostas, seja um espaço de tempo necessário, um esforço que as vezes ele provoca. Posso sentir a viração como se estivesse num barco.
é preciso ir além dos órgãos confinados neste emaranhado de outras células, e ossos e água até o lado de fora. As mãos se tocam, as palavras se concretizam, tudo em voz alta, tudo para que o outro escute e perceba. Não acredito num outro além de mim quando me exponho. O que sou dentro de um quarto?

1 Comments:

Blogger darsh. said...

achei esse texto diferente, porém gostei mais.

Sexta-feira, Abril 10, 2009 2:38:00 PM  

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